EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Se estiver namorando, não termine; se estiver no caritó, continue
[04/09/2007- Matéria da Edição :84 - Fevereiro de 2007 ]
Se estiver namorando, não termine; se estiver no caritó, continue. É assim, em tempos de vestibular, aconselha o professor Cláudio. Nada de desperdiçar suas energias com questões de ordem afetiva, em época de concursos. Eu acredito que ele tem toda a razão. Para ser convincente, eu vou até usar Freud, que, por anos a fio, foi "o cara" na compreensão dos afetos. Agora, nem tanto... tem muitos intelectuais lhe fazendo caras e bocas... Eles se acham com essas expressões faciais. Mas eu não... No entanto, com charme ou sem charme, pode ser até que tenham razão. Nesse caso, no entanto, ah sim, Freud explica e Cláudio é testemunha.
Na época do vestibular, sofrendo de dor de amor, tínhamos bons alunos. Ficavam num canto "virando de lado e olhando pro chão". No virar de lado e no olhar pro chão, o ouvido e a mente foram ficando fora de foco, meio brocos. Afinal, o "coração mistura os amores", mistura e não consegue "desmisturar" (Guimarães Rosa). Antes conseguisse e só fosse real o que também diz bem o mesmo autor: "coração cresce de todos os lados e (...) nele tudo cabe". Caber, cabe, mas não departamentaliza. Porque se assim fosse, caberiam Gabriel, Rosa Maria só nos cantinhos reservados para as coisas do amor, e noutros caberiam a matemática, a física, a literatura etc. Tudo seria visto em seu tempo e em sua hora, bem distribuídos. Mas não é assim: a "energia catéxica" - uma espécie de energia que faz toda a mente funcionar - que deveria estar vinculada às questões da física, da matemática, é convocada para se estabelecer ao redor da ruptura produzida pelo amor interrompido de forma abrupta e dolorosa e formar uma proteção para minimizar a dor. Com isso, empobrece as demais funções.
Por isso, queridos estudantes, em época de vestibular, se estiver namorando, não termine; se estiver no caritó, continue. Espere mais uns diazinhos que o amor... bem, o amor espera ... - não foi nenhum gênio ou intelectual mal humorado quem disse. Sou eu mesma que digo - "especializanda" em amor como deve fazer os que cuidam das fofocas: esperar uns diazinhos... ele chega bem mais doce. A pressa, assim como a improvisação, destitui as coisas de seu lado mais sublime e bestializa um pouco as relações.

Maria Luiza Cannes da Noca,
especializando-se em amor para melhor fazer fofoca