EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Meninos de ouro, prata, bronze e de muito mérito...
[09/06/2007- Matéria da Edição :88-julho de 2007 ]
Tudo começou assim... Estávamos na aula de matemática, e o professor Kleber entrou. Ele nos convidou para participar da Olimpíada de Informática. Leu todo o regulamento minuciosamente - é esse o seu jeito ser: minucioso, bem explicado. Na hora, eu não me animei porque acreditava ser pura informática. O professor Alan, então, esclareceu que seria uma prova de lógica. Ele está sempre nos desafiando com exercícios de lógica.
Sasha, uma grande amiga, pediu-me para que eu fosse com ela. Ela não queria estar só, e a gente tem quer solidária, né? A prova também parecia ser interessante pelo que disse o professor Alan. É legal fazer umas coisas diferentes de vez em quando. Fizemos a primeira etapa na escola, e eu fui para casa achando que fiz uma boa prova. Fomos 13 os classificados finais de 17 que passaram para a segunda etapa. A segunda etapa foi na UFS. Nós fomos todos juntos, de Van. Foi muito animado. Um monte de gente contando piada e rindo. Lá, fomos divididos em grupos, por ordem alfabética: Iniciação 1 e 2, da mesma forma. Um clima todo sério de prova.
Terminou a prova, e só falávamos sobre ela. Vi, então, que acertei o que pensava ter errado e errei o que pensava ter acertado. Achei estranho, porque o que julguei fácil para todos pareceu difícil, e o que eles acharam fácil, eu achei difícil. Não dava para avaliar direito.
Numa aula de Matemática, uma semana depois, veio Kleber para dizer que eu tinha sido a primeira de Sergipe. Foi "a" notícia. Eu não conseguia acreditar, nunca tinha feito um concurso assim, era o primeiro. Apareceu Fafá para reclamar do barulho. Eram os aplausos. Assim que ela soube, pegou-me pelos braços e levou-me para falar com Edmê. No meio do caminho, encontramos Sheila, que ficou empolgadíssima. Falamos com Edmê, telefonamos para a minha mãe. Aí, sim, foi a maior festa! Depois, quando eu soube que poderia ir para a Unicamp, com os demais classificados, a alegria, então, foi intensificada. Passagem, hotel, café da manhã, almoço e jantar, passeio no shopping, tudo pago pela OBI, apoio e organização da Unicamp, patrocínio da Fundação Carlos Chagas e promoção da SBC - Sociedade Brasileira de Computação. Muito bom.
Eu fui de avião, com Gabriel e Kid, dois outros alunos de Sergipe, também classificados. Lá encontramos João, o monitor que nos encaminhou para o hotel. Levantamos às 6 horas da manhã, mesmo no primeiro dia. E os nossos monitores, que tinham que acordar às 5 h 30? Um frio!
Tivemos aula teórica, de cara. Tínhamos aulas todos os dias, com pausa só para as refeições. Era uma turma grande, dividida em três turmas, de todo o Brasil. Recebemos um bloco para anotar tudo e éramos desafiados todo o tempo para compreender e produzir coisas de programas. Mas os monitores estavam ali, para ajudar-nos. Todos eram muito unidos. De noite, vinham aquelas brincadeiras já que, durante o dia, era só estudar. Falávamos besteira, brincávamos com o computador, jogávamos cartas. Eu não aprendi, nessa semana, só computação; aprendi a fazer amigos mais rapidamente e a ficar mais tempo sozinha, sem a minha família, com quem eu converso as coisas pessoais. Ficava lendo, vendo TV.
Era frio de doer. A minha boca ficou toda rachada. O monitor só rindo de mim, que só andava de gorrinho. O gorrinho era o motivo do riso. Ora de gorrinho azul, ora vermelho. Mais o azul, que combinava melhor com todas as roupas.
Fiquei um dia doente, e João levou-me para tomar um pouco de sol. Era o que fazia falta. Afinal, moro na ensolarada Aracaju. Ele comprou revistinhas para mim - Mangah. Eu sou muito fã dessas coisas; achei interessante o meu monitor gostar também. Lá muita gente gostava de Mangah e Anime. Mais os garotos. Os garotos e eu.
Antes de retornar para a casa da mamãe, para a minha casa, recebemos a Medalha Nacional. Tinha um coral no dia do evento, que cantou muita música nordestina e falando do nordeste. De Caetano, Gilberto Gil. Eu achei incrível. Acho que essas músicas representam mais o Brasil porque são MPB mesmo, não só POP.
Antes de vir, João disse para eu voltar porque eu não era bagunceira. Fiquei feliz e até meio faceira. Quase fiz um poema para o meu monitor agora, não é mesmo?
A viagem de volta foi muito engraçada. Estávamos felizes e ríamos muito. Foi bom correr e abraçar minha mãe, minha irmã e meu padrasto, Dinho. Ele é tão pai meu!
Voltei para a escola, fiquei feliz. Todos estão orgulhosos de mim. Houve também a premiação na UFS, onde eu e mais 12 colegas recebemos as medalhas estaduais e o certificado.
Eu gostei e achei que foi muito importante porque abriu mais caminhos. Mesmo que eu não faça computação, vai ser algo importante para minha vida. Meu pai, que é astrofísico, desenvolveu, em seu doutorado, um programa para potencializar mais os telescópios brasileiros e fazer mapeamento das estrelas, e hoje esse seu programa é muito usado. Ele fez outros programas que analisam as estrelas. Ele é muito bom em programação, embora sua formação acadêmica seja outra. Vejo tudo isso como grande incentivo - a OBI e as outras Olimpíadas - para focar os talentos de todo o Brasil e desenvolvê-los.

Por Liana Lobo Baptista (7º ano)