EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Neto, sim, sabe presentear
[27/02/2007- Matéria da Edição :83 - Janeiro 2007 ]
No primeiro dia de aula, há sempre um corre-corre. São tantos os sons, as falas, as informações que se pede que quase não cabem em nossas cabeças. Com o tempo, sim, nem há porque diminuir a intensidade dos sons, do corre-corre, de orientações e de histórias. Podem até aumentar. Os professores, com as suas mentes elásticas, que se encolheram durante o recesso para o merecido descanso, apenas, no primeiro dia de aula, preguiçosamente, começam a se esticar e até a bocejar.
Mas, mesmo nesse momento, tão intenso para as cabeças encolhidas, tímidas em acolher todo o mundo dos alunos em plena agitação escolar - ou não seriam só as cabeças, mas também os seus corações - não ficariam indiferentes àquilo que é o melhor dos presentes. Neto, como bem explicou, estava caminhando pelas praias de Maceió. Viu lá umas pedrinhas; umas não. Um oceano de pedrinhas, de conchas... tão lindas... tão bem lavadas pelas incansáveis ondas do mar... Amou aquilo e não teve dúvida: quis compartilhá-las com outras pessoas. Ele, então, achou que deveria ser com os seus coordenadores e com os seus professores. Colocou-as num pequeno saco plástico, envolveu-as com papel bem lindo de presente, amarrou tudo com fita que combinava, na cor e na espessura, com todo o delicado arranjo e trouxe... No primeiro dia de aula. Entre tantos ruídos, os corações dos presenteados fizeram outro maior... ele não teve dúvida em compartilhar o que descobriu durante as suas férias, com os seus professores, e estes, por sua vez, não tiveram dúvida do imenso carinho trazido naquele presente que só se ganha de pessoas amorosas e especiais: um bonito pedaço de seu mundo. Neto, sim, sabe presentear.
Maria Luiza Cannes da Noca
(quem colhe da escola toda fofoca)