EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007
Clouse Marinho
Maria de Fátima Vieira Santos



E se eu fosse um peixinho…
[29/06/2006- Matéria da Edição :77 - MAIO DE 2006 ]
Chegou mais uma sexta-feira e nossas crianças esperam, ansiosas, pelas aulas na piscina. Na verdade, essa piscina se transforma em muitas coisas até onde a imaginação alcançar. Há momentos em que vira o mar que levou Fátima, a fiandeira, para Istambul, Grécia e China; ou o oceano Atlântico; ou eles mesmos se transformam em Bob Esponja, sereia, peixinho, golfinho, e principalmente tubarão, o preferido da garotada.
Assim como afirma Soler, o jogo simbólico está muito presente na fase pré-escolar e este é a representação corporal do imaginário, onde predomina a fantasia, mas estabelecendo uma ligação com o mundo real através da atividade psicomotora. É por isso que devemos, cada vez mais, encorajar nossas crianças a explorar suas potencialidades de movimento, ao invés de fixar "jeitos corretos", pois elas, nessa fase, falam com o corpo. O necessário é estimulá-las a resolver desafios de diferentes maneiras e respeitando o ritmo de cada uma.
E isso não quer dizer que o professor não deva fornecer informações às crianças sobre os caminhos para encontrar melhores soluções. Para Fonseca, a aprendizagem do ato de nadar, no ser humano, não é inata como em algumas espécies, pois até se dominar o meio aquático existem fatores que devem ser levados em consideração, como medo e insegurança, necessitando de um determinado tempo (esse varia de pessoa para pessoa) para aprender a nadar e adquirir maturidade neurológica e emocional.
Com as crianças, também não é diferente, pois, apesar de a água lhe causar grande fascínio, vai obrigá-las a fazer uma nova adaptação das estruturas de base, pelas diferenças que existem entre o meio terrestre e o meio aquático. Dessa forma é que, durante as nossas aulas, procuramos sempre proporcionar atividades variadas que deixem a criança à vontade no meio líquido e, com o tempo, desenvolva sua autoconfiança para assim poder se libertar de materiais de apoio (bóias, espaguetes, coletes) e de pessoas.


* Professora de Educação Física da Nossa Escola
Sugestão de leitura: Soler, Reinaldo: Educação Física Escolar, RJ: Sprint, 2003.