EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Geração iPod tem maior risco de surdez
[23/11/2007- Matéria da Edição :90-outubro de 2007 ]
(...) “Estamos notando um rebaixamento auditivo na moçada que abusa desses aparelhos”, conta Oswaldo Laércio Cruz, recém-eleito presidente da Sociedade Brasileira de Otologia. Ele explica que ruídos acima de 100 decibéis, mesmo que sejam provenientes de música de altíssima qualidade, prejudicam o sistema auditivo. O tipo de dano que será causado, no entanto, depende do tempo de exposição.
O problema é que não são raras pessoas ouvindo seus tocadores de MP3 a 110 decibéis. Para se ter uma idéia, esse é o volume do barulho de uma britadeira. Cruz lembra que um levantamento feito no Reino Unido com funcionários de discotecas, que chegam a ter ruídos nessa altura, mostrou que 20% deles apresentavam perda auditiva.
O alerta coincide com a Semana Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, que teve início no dia 11 de novembro. Eventos em todo o País procuram conscientizar a população sobre formas de evitar a perda auditiva e mostrar os possíveis tratamentos e métodos de reabilitação.
Marcelo Hueb, coordenador nacional da campanha, lembra que os jovens têm de cuidar de seus ouvidos não só pelos perigos eminentes, mas pelo dano futuro. “A tendência é que a velhice se estenda por cada vez mais anos. Uma lesão leve, parcial no ouvido jovem vai se associar no futuro à degeneração própria da idade, podendo causar perdas mais sérias”, explica.
Segundo ele, uma exposição superior a 20 minutos a um volume de 110 decibéis já é suficiente para causar uma lesão. O dano de dias inteiros sob essas condições pode se tornar permanente.
Isso sem contar o impacto sob a sociabilidade do indivíduo, como explica o neurologista inglês Oliver Sacks em seu livro Alucinações Musicais. Ele critica o que ele chama de “civilização do iPod não só pela surdez infantil, mas porque, “com esses aparelhos, as pessoas se enclausuram nelas próprias”.
Cruz sugere que o controle seja estabelecido já na legislação. “O ideal seria que a capacidade de amplificação dos aparelhos fosse limitada a, no máximo, 90 decibéis. Ou então que as embalagens tivessem uma grande placa de alerta com os dizeres: potencialmente danoso ao sistema auditivo”.

Fonte: Estadão (www.estadao.com.br)
colaboração Mário Bezerra da Silva, pai de Camila (7º ano) e Mariana (4º ano)