EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Olha a dica aí, gente (filme)
[06/06/2007- Matéria da Edição :86 - Abril/Maio de 2007 ]
007 - CASSINO ROYALE
DIREÇÃO: Martin Campbell
ROTEIRO: Neal Purvis e Robert Wade, baseado em livro de Ian Fleming
ELENCO: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Jeffrey Wright,
Giancarlo Giannini, Caterina Murino, Simon Abkarian, Isaach De Bankolé, Jesper Christensen, Ivana Milicevic, Tobias Menzies, Claudio Santamaria, Sebastien Foucan, Malcolm Sinclair, Richard Sammel, Ludger Pistor
SINOPSE
Voltamos aos primeiros anos da carreira de James Bond (Daniel Craig), quando ele adquire o título de agente "00" após duas missões. A primeira é sangrenta e traumatizante, na qual ele mata um homem pela primeira vez. Na segunda, ele elimina um traidor do alto escalão de sua agência. Depois disso, já como o agente 007, Bond é descuidado e falho em sua terceira missão. Sua chefe, M(Judi Dench), adverte-o e ameaça afastá-lo,mas, a contragosto, ele consegue uma nova missão nas Bahamas e é bem sucedido, chegando finalmente à missão do título, no Cassino Royale. Lá 007deve deter Le Chiffre,um financiador de terroristas que pretende conseguir ficar rico e saldar sua dívida com seus ex-clientes num jogo de pôquer. Para prender Le Chiffre, Bond contará com a ajuda de Vesper (Eva Green), outra agente mandada para ajudá-lo.
CRÍTICA
"Eu tenho cara de quem se importa com isso?"
Cassino Royale é uma espécie de prólogo da série 007, mas é, ao mesmo tempo, uma grande progressão. É o filme mais maduro e tenso da série até hoje. São explicadas várias das características de Bond, como a razão de ele nunca se apaixonar ou confiar nas mulheres com quem se envolve e sua origem, até então desconhecida, para quem nunca leu "Cassino Royale" (o livro) de Ian Fleming, no qual o filme se baseia. Tanto para o personagem quanto para os filmes da série que virão, o que acontece neste filme deixará marcas e mudanças profundas. A começar pelo início, sua segunda execução, fria e eficiente, interrompida por flashbacks da primeira missão, violenta e desesperada. Ambas as cenas são em preto-e-branco e já valem o ingresso de tão bem feitas. E juntas, contêm a natureza do novo James Bond: um homem frio, sarcástico e perigoso, mas resultado de um passado que o deixou cheio de cicatrizes. É feita uma reflexão do personagem, que discute: Que tipo de homem é esse, bom ou mau, cujo emprego é matar pessoas? E como esse homem vê a si mesmo?
E o filme tem outras qualidades. Daniel Craig, o novo Bond, é uma delas. Rude, violento, descuidado, sacana, profissional, impulsivo, traumatizado, humano. Assim é o novo 007, antes de se tornar o classudo e refinado agente que todos conhecem (atenção para a divertida cena no bar do cassino, quando o barman lhe pergunta como vai querer o drinque, e Bond responde: "Eu tenho cara de quem se importa com isso?").
Mas novas feridas são abertas, com a chegada de Vesper (a bela e talentosa Eva Green), a única mulher que o agente realmente amou, uma personagem muito mais complexa do que as "bond girls" dos outros filmes da série. O trágico final do romance é a base para a sua amargura. Até o vilão, Le Chiffre (Mads Mikkelsen,ótimo) não tem planos megalomaníacos de dominar o mundo; ele quer apenas salvar a própria pele e ficar rico. Apesar de não contar com o carnaval de efeitos especiais do filme anterior, "Um Novo Dia Para Morrer", os fãs de cenas de ação não vão se decepcionar. As cenas na mesa de pôquer do cassino não quebram o ritmo; pelo contrário: intensificam o suspense. Ainda no elenco, Judi Dench como M, chefe de Bond, e Jeffrey Wright como Felix, um agente do FBI.
por Victor Cardozo (9º ano)