EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Fofocas da Noca
[06/06/2007- Matéria da Edição :86 - Abril/Maio de 2007 ]
Mico global, ou melhor, total
Ana Luiza (2º. ano do Ensino Médio) é assim muito crítica, está sempre à frente dos movimentos - às vezes, bem humorada; outras, nem tanto - mas ela tem também o seu lado doce e meigo. Duvida? Então leia esta fofoca, reproduzida na íntegra. Bem... Na íntegra, na íntegra também não, né? Quase. Na verdade, foi bem pior.
Ana Luiza era bem pequenina e estudava no jardim de infância. Um dia, na escola atual, ela recordou com taaanto carinho do seu poeminha premiado e o recitou para todos nós. Diante da diretora e dos colegas. Foi uma comoção: vaias, aplausos, risadas. Mas antes, ela falou também do prêmio - batendo no pobre do Davi de tanta vibração:
- Um sorvetão!
Três sílabas bem pronunciadas:
- Sor - ve - tão - correspondendo a três murros nas "esmirradas" costelas de Davi, que se encolheu de dor.
- Teve também o passeio na Biblioteca Epifânio Dória, eu e a outra vencedora - Rendeu ao Davi uma sacudidela jogando as suas madeixas pra frente e pra trás.
O Davi se afastou, claro, e Ana Luiza continuou:
- Enquanto os meus coleguinhas ficaram lá, dando duro. Não sabiam rimar... (Risos).
Confiram a precocidade do talento da menina:
A natureza é bonita
Tem muitas árvores e flores
E tem os bichinhos
Que são uns amores
"Os bichinhos... agradou que só. A todos." Os bichinhos... - repetiam todos, felizes, felizes de se embolarem...
Assim que ela terminou de recitar o poema - tem coragem a menina, que ninguém mais duvide disso - não deu outra: tivemos um momento "a la" Páginas da Vida. Entre lágrimas.... De tanto rir.
Confiram os depoimentos:
Victor Melo disse que sentia um enorme orgulho e uma intensa satisfação em ser colega de Ana Luiza, uma artista que, desde cedo, já manifestou o seu talento para a poesia. Ariel até suspirou e depois disse:
- A magnitude da inteligência dessa colega..., tão cedo já manifestada e premiada, dá mais luz às páginas das nossas vidas". Rurruuuu...
Seguido dos colegas:
- Rurruuuuu...
Depois de tantos depoimentos emocionantes, Isis, no melhor estilo "a la" Regina Duarte - ficou sem palavra para colocar a Ana Luiza.
- Tão complexa... - Ela disse.
Ficou muda em seguida, produzindo instantes de pura expectativa e meiguice, superando em muito a atriz já citada. Antes de continuar, pediu ao Victor ajuda com aquele olhar de desprotegida. Aí, sim, Regina Duarte perdeu seu posto de vez. Mas o socorro não veio. Só lhe sobrou mesmo comentar, com muita profundidade e coerência:
- Ana Luiza é tão talentosa... tipo assim, tipo assim... complexa e simples ao mesmo tempo".
- Ela é um paradoxo". - confirmou Victor Melo, retardatário, em seu socorro. Solenemente, Ana Luiza agradeceu a todos.
Gente, vocês têm que concordar comigo, não é linda a amizade entre os adolescentes?! Eles são tão... assim, tipo assim...generosos uns com os outros.
Poesia contamina, sabiam?
Foi só dar início ao caderno de poemas para presentear as mães, e foram todos criar rimas nos diários, nas redações. Tudo passou a acontecer cheio de expressões poéticas. Os namoros, então, se intensificaram e com aquele jeito romântico à moda antiga. Até a minha coluna, quando vi, estava sendo invadida por uma linguagem Shakespeariana.
Mas aqui eu quero anunciar uma estrela que nasceu e não foi em Hollywood; foi no 8º ano. Uma estrela da poesia: a poeta Ana Luiza.
Cor do amor
Que cor é o amor?
Será rosa, como uma rosa?
Será amarelo, cor de Sol?
Ou será o vermelho, cor da paixão?
Que cor é o amor?
Será azul, como o céu?
Será verde, cor de florestas?
Ou será o branco, cor da paz?
Que cor é o amor?
O amor não é só uma cor,
O amor é um arco-íris
Da cor do amor.
Uma princesa ciumenta, mas... sem nunca perder a classe
Era uma vez uma linda garota. Sorriso meigo, orgulho da escola, eleita, entre as garotinhas do 3º. ano do Fundamental, a princesa...
Mas a princesa, quando precisa, veste-se com todo o rigor e coloca ordem segundo a sua lei. Como fazem as princesas... Ciumentas, então...
Nos jogos internos da Nossa Escola (6º ao 9º ano), ficamos abertos a visitas. Somos gentis... e como não ser já que se tratavam de pessoas mui queridas da escola? Chegaram, foram bem recebidas, como merecem e como só aluno da Nossa Escola sabe fazer. Aos pouquinhos, no entanto, foram se instalar no dormitório masculino.
O namorado, que não só conhece a sua garota como conhece a dor de perdê-la para um Romeu qualquer, preserva a relação com todo o cuidado do mundo... Saiu do dormitório, fez cara de bom moço, fiel, como é parte do contrato entre os dois, e foi se queixar assim, como quem nem se lembrasse direito quem é a sua garota em assunto de fidelidade: "Tem umas garotas lá, ó..." e indicou a sala transformada em dormitório.
- Lá onde? - perguntou a namorada.
- Lá no nosso quarto... e eu queria trocar de roupa pra descer... jantar.
Não deu outra. Com rigor e classe, mas com a pitada do seu legítimo poder sobre a situação: escola minha, namorado meu, dirigiu-se ao dormitório. Educadamente, exigiu que as visitas se retirassem para que os garotos pudessem se trocar. Claro, ninguém "chiou"... Obedeceram. De princesa dos pequeninos, ela se transformou em mulher maravilha das amigas, que também estavam cheia de ciúmes. Quem de quem...vai saber, não é mesmo?
Água mole em pedra dura...
Água mole em pedra dura tanto bate até que... a garota diz sim. Isso foi o que aconteceu com Ricardo (9º. ano). Como a Nossa Escola se declara o templo do saber, vai aí uma boa lição aos caríssimos colegas: "persistam". Mandem recado, flores, falem pessoalmente, fiquem assim, amicíssimos do primo da gata. Bem "brother" mesmo.
"Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, já estamos em 2007",
e a garota nada...
Agora, é tarde demais - pensa ele. É muito esforço... Mas diferente do final do poema de Mário Quintana, num dia chuvoso, em plenos jogos internos, ele é aprovado. Aprovado, nada mais, nada menos, pela Carol ( 8º. ano).
Ele agora está assim: "estilo" Shakespeare apaixonado, quer dizer, com cara de bobo mesmo.
Não é que o garoto deu até para inventar e reproduzir poemas num caderninho:
"Sonhos que o homem sonha sempre./ Em todos os lugares,/ Dormindo ou acordado."
Ou seja, sonhos com uma linda gata de olhos incríveis.
Giuliette
Entre nós, atua Giuliette (Julieta) de Shakespeare, em carne e osso e sob a direção dos fatos. Essa trama se desenrola entre uma aula e outra, com direito à presença dos famosos personagens: Páris, enciumado, e Romeu, se julgando o dono do pedaço. Não tenho certeza, mas os dois são mesmo da família... Montéquio. Não é assim, um de uma família e outro de outra como na peça original.
Felizmente, as grandes tragédias não andam muito em moda. Talvez, por isso, segundo as boas línguas, Romeu, nos nossos corredores, reencontrou o seu antigo amor, "Rosalinda", por quem suspirou durante um largo tempo, em 2006. Antes de acontecer o baile de máscaras na casa dos Capuletos. Lembram-se disso?
O eterno apaixonado Romeu - pelo menos o nosso Romeu - é, acima de um tudo, um apaixonado por Julieta, por RAInha ruSSA, por Rosalinda - agora está apaixonado só por Rosalinda, que é tão "rosa", que é tão "linda" quanto Julieta.
O jovem Páris, no entanto, necessita se confiar mais. Se algo atrapalha muito a sua transformação em herói romântico, assim como o desenrolar das cenas desse teatro, que poderia ser mais dinâmico, é o seu estopim curto e o excesso de desconfiança.
Quem conseguir decifrar essa história ganhará um prêmio.
Maria Júlia e as palavras
Maria Júlia (2 anos e 5 meses) tem substituído as birras, os choros pelas palavras, e essa substituição enche sua mãe de orgulho. Está mais educada e mais mocinha. Às vezes, no entanto...
Recentemente, sua mãe descansava em frente à televisão, mas Maria Júlia queria brincar. Na sala contígua. Quer programa melhor: com a mamãe e com os brinquedos?
Sua mãe, grávida, com dor nas costas, justificou-se e reivindicou o direito de ver televisão sem pensar em nada. Descansar somente.
Maria Júlia chorou? Não. Deu birra? Tampouco; ela já está mocinha. Organizou tudo bem rápido. Apagou a luz; em seguida, a televisão e dirigiu-se à mãe:
- Mamãe, a luz acabou. Vê?! Aqui não tem luz, mas, na outra sala, tem.