EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Olha a dica aí, gente (Filme)
[05/05/2007- Matéria da Edição :85 - Março de 2007 ]
O ILUSIONISTA ("THE ILUSIONIST")
SINOPSE
"O Ilusionista", de Neil Burguer, é baseado no conto "Eisenheim, the iluminist" (vencedor do Nobel de Literatura) e narra a história de um garoto pobre que, após se encontrar com um mago na estrada, desenvolve um grande talento para o iluminismo. Ele se apaixona por Sophie, uma jovem duquesa, e, devido à diferença de classes sociais, eles são brutalmente separados. A partir de então, ele viaja pelo mundo para aperfeiçoar o seu dom e reaparece como Eisenheim, o ilusionista.
Seus incríveis espetáculos assombram as platéias de Viena chamando a atenção de um dos mais poderosos e céticos homens da Europa, o Príncipe Leopold (Rufus Sewell). Certo de que as mágicas não passam de fraudes, Leopold vai ao show de Eisenheim disposto a desmascará-lo. Quando Sophie, noiva de Leopold, é chamada ao palco para participar de um número, os dois se reconhecem. Eles iniciam um romance proibido, e o Príncipe põe o inspetor-chefe Uhl (Paul Giamatti) no encalço de Eisenheim, para descobrir como destruir o ilusionista.
CRÍTICA
"nada é o que parece"
Algo cada vez mais comum no cinema americano é o lançamento de dois filmes ao mesmo tempo, sobre o mesmo tema. E ainda mais comum é a briga dos executivos e realizadores pela originalidade da idéia e principalmente pelo êxito nas bilheterias. No caso, "O Grande Truque" e "O Ilusionista" realmente são filmes muito parecidos: ambos têm os espetáculos de ilusionismo do fim do século XIX como tema e tratam da linha tênue entre o real e o ilusório. Mas felizmente, ao contrário de outros casos do cinema holywoodyano, cada um segue seu rumo e ambos são filmes muito bons, inteligentes e maravilhosamente bem feitos. O melhor disso tudo é que, apesar de similares, cada um é original e distinto do outro, e a única outra coisa que sobra em comum é a qualidade. "O Ilusionista" é um tipo de filme quase em extinção: preocupa-se, acima de tudo, com os personagens e em contar bem a história. E consegue. A trama é incrivelmente envolvente, fluindo de maneira que nem sentimos os 110 minutos do filme passarem, de tão absorvidos pela história e pelos personagens.
O talentoso e perfeccionista Edward Norton reafirma-se como um dos melhores atores da sua geração, com mais essa inesquecível atuação. Sua presença na tela como Eisenheim é hipnotizante, traz toda uma aura de mistério de um homem que sempre esconde o que sente. Paul Giamatti também se supera como o inspetor Uhl; apesar de servir ao Príncipe, não consegue esconder sua admiração pelo ilusionista. O modo como ele dá dimensão à corrupção de Uhl, destacando sua origem humilde e seu ressentimento à arrogância do Príncipe Leopold, além das atitudes do personagem no último ato do filme, criam uma simpatia pelo personagem.
Rufus Sewell, como o Príncipe Leopold, não decepciona e cria um vilão humano, assombrado pela traição, pela culpa e pela própria sede de poder. Já Jéssica Biel tem um desempenho acima dos seus anteriores e não compromete o filme (além de ser um colírio para os olhos), mas vai ter que progredir, e muito, se quiser chegar ao nível dos seus colegas de cena.
Neil Burguer assina o roteiro e a direção. Está no seu segundo filme como diretor (o primeiro foi "Interview with the Assassin ", ainda inédito no Brasil) e é bem sucedido ao se focar na história e nos personagens .O roteiro tem algumas pequenas falhas sendo que um espectador muito atento consegue prever o final sem a menor dificuldade.Mas a fotografia (de encher os olhos) de Dick Pope embeleza o filme (algumas paisagens ficam parecendo pinturas) e criam um jogo de luz e sombras essencial para todo o aspecto visual, ajudando até mesmo nas atuações (que já eram ótimas) além de compensar alguns pontos onde a direção falha. Não seria exagero dizer que a aura de mistério que conduz o filme se deve à bela fotografia, que também é um dos pontos fortes de "O Grande Truque". A bela trilha sonora de Philip Glass é mais um acerto, clássica e bela, em perfeita sintonia com cada cena.
Analisando tudo isso, é possível vermos "O Ilusionista" como uma espécie de homenagem ao cinema, tanto pelo visual de cinema mudo quanto pela própria temática do filme: a arte de iludir. O cinema é mesmo isso: um grande espetáculo de ilusionismo.
por Victor Cardozo (9º ano)