EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



"Qualquer coisa que se queira/ Saber querer..."(Samuel Rosa)
[05/05/2007- Matéria da Edição :85 - Março de 2007 ]
Dinheiro. Desde que os seres humanos desenvolveram a moeda, da bolsa de valores ao shopping center, o dinheiro (qualquer que seja a sua forma) sempre representou o poder de ter para o ser humano. E as posses levam à idéia de status social, de alta posição, o que é associado a sucesso e felicidade. Tal corrente de raciocínio, que está enraizada na mente da maioria das pessoas, foi criada (e difundida) pela sociedade eternamente (será?) ligada e acorrentada ao consumo. O que nos leva a pensar: Qual a importância do dinheiro senão suprir nossas necessidades básicas? Tantos objetos de falso desejo, parafernálias inúteis com mil e uma utilidades, e para quê?Quando realmente usamos aquilo tudo?"Money no bolso" é o que se quer, mas com certeza não é o de que se precisa; aliás, é o que somos impulsionados a querer.
Prova disso é a sensação de vazio daqueles que alcançam esse "céu monetário". Raul Seixas descreve muito bem essa situação na música "Ouro de Tolo":
"Eu é que não me sento//No trono de um apartamento//Com a boca escancarada, cheia de dentes esperando a morte chegar". Como diz o título da música, a vida de mordomia é algo inalcançável e frustrante, pois quanto mais se alcança, mais se deseja e mais vazio se torna. O desejo do dinheiro nada mais é do que uma cortina de fumaça, que compõe as "verdades absolutas" da sociedade. Não é a idéia do dinheiro que é ruim, mas sim o seu endeusamento, que é mais um instrumento de alienação, que destrói a liberdade de ser.
"(...) Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido (...)".
Dalai Lama
por Victor Cardozo (9º ano)