EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Filme
[20/03/2007- Matéria da Edição :84 - Fevereiro de 2007 ]
Os Infiltrados ("The Departed")
DIREÇÃO: Martin Scorsese
ELENCO: Leonardo Di Caprio * Matt Damon * Jack Nicholson * Mark Wahlberg * Martin Sheen * Ray Winstone * Vera Farmiga * Alec Baldwin * Anthony Anderson

SINOPSE
A polícia trava uma verdadeira guerra contra o crime organizado em Boston.Billy Costigan (Leonardo DiCaprio), um jovem e conturbado policial, recebe a missão de se infiltrar na gangue da máfia irlandesa comandada por Frank Costello (Jack Nicholson) Para isso, Costigam passa todo o trajeto de um verdadeiro criminoso: vai preso, é solto, consegue "contatos" na gangue de Costello. Aos poucos, Billy conquista sua confiança, enquanto Colin Sullivan (Matt Damon), o protegido de Costello infiltrado na polícia, ascende com facilidade dentro da corporação. Tanto Billy quanto Colin sentem-se aflitos devido à vida dupla que levam, aos poucos perdendo seus princípios e suas identidades. Quando a máfia e a polícia descobrem que entre eles há um espião, a vida de ambos passa a correr perigo.

CRÍTICA
"Eu não quero ser produto do meu ambiente. O meu ambiente é que deve ser produto de mim".
Com essa frase antológica, Jack Nicholson caracteriza Frank Costello: a pura (e genial) representação da corrupção pelo poder. E é assim que se inicia o prólogo de "Os Infiltrados", na cidade de Boston dos anos 80. Vemos Costello "apadrinhar" Colin Sullivan ainda garoto e o acompanhamos crescer em meio à polícia em constante ascensão, passando com louvor, na Academia, e subindo de cargo rapidamente no departamento, enquanto dá informações e recebe ordens de Frank.Um lobo (ou rato, como preferir) em pele de cordeiro.
E acompanhamos a imersão do infiltrado Costigan no mundo do crime, de sua prisão à sua "introdução" na gangue, em completo contraste com Sullivam, uma boa alma presa no purgatório.
As cenas de Sullivan começam fechadas e terminam abertas, simbolizando que um mundo se abre para ele. Com Costigan é o contrário; elas acabam quase que claustrofóbicas, para demonstrar que ele está se sufocando cada vez mais. Apenas por essas primeiras cenas que dão início ao filme, é possível entender porque essa é a grande retomada de Scorsese ao seu melhor estilo. As cenas são de um virtuosismo impecável. E absorvente. Remetem a um de seus grandes clássicos, que é " Os Bons Companheiros" ("Goodfeelas"). Mas ironicamente, o personagem que mais remete aos clássicos gangsters é Di Caprio, na pele do atormentado Costigan. Os três pontos que fazem de "Os Infiltrados" uma obra-prima são: a sintonia audiovisual das cenas, de uma perfeição de elementos indescritível; o soberbo elenco, no qual todos brilham em seus papéis; e a maneira como os acontecimentos se desenrolam - a perda de identidade e o inferno de Bily e Colin, de uma identidade que lhes é negada. Costigam é bondoso, porém explosivo, e seu instinto auto-destrutivo deixa que o disfarce consuma-o, e Sullivan acaba por se tornar um " rato" cheio de remorso e arrependimentos. É um paradoxo fascinante. Tudo bem, o roteiro é baseado no cultuado filme de Hong Kong, "Infernal Affairs". Mas aí é que está outro grande triunfo de Martin Scorsese, que foi transformá-lo numa obra com a sua assinatura e, ao mesmo tempo, deixar espaço para o desenvolvimento da história. A grande diferença do " remake " para o filme é o seu desfecho. A cena final é Scorsese puro. Além de criar outro sentido próprio para a trama, independente do original.
A trilha sonora é sincronizada com o filme, contando com Rolling Stones, John Lennon, Pink Floyd, entre outros. Di Caprio e Damon estão brilhantes, Martin Sheen (como o chefe paternal Queeman) e Alec Baldwin (como Ellerby) estão ótimos e Mark Wahlberg concorre ao Oscar com sua melhor atuação até hoje, como o policial sarcástico Dignam. O mestre Martin Scorcese não poderia ter voltado melhor. O que mais eu posso dizer? Obra-prima.
por Victor Cardozo
(1º ano do Ensino Médio)