EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Onde o Brasil vai parar?
[20/03/2007- Matéria da Edição :84 - Fevereiro de 2007 ]
Necessariamente, onde todo mundo vai parar? Quando ouvimos e vemos as reportagens sobre o que acontece no mundo, pensamos: "Não, isso não acontecerá aqui". E quando acontece, o que fazemos? NADA!
Este mês (fevereiro), ocorreu um caso que chocou o país, e com certeza, internacionalmente, também repercutiu de modo chocante. Estou falando do caso João Hélio. Para os que não sabem (se isso é possível), aqui vai um resumo.
No dia 7, a mãe estava com ele no carro, quando foi abordada por três indivíduos, que roubaram o veículo enquanto o garoto ainda tentava sair dele. O que aconteceu? O menino foi arrastado por 4 quilômetros. Foram 15 minutos nos quais os indivíduos faziam manobras em ziguezague, tentando se livrar do corpo. Entre os pedestres e transeuntes que tentaram ajudar o garoto, a maioria foi ignorada, e alguns, ameaçados. Os ladrões, finalmente, deixaram o carro, onde não viram nada de muito valor
Então nos perguntamos: Cadê a policia nessas horas?
Não sei nessa hora, mas em outra ocasião (vi em uma reportagem transmitida por algumas emissoras de televisão), ocorreu de alguns policiais, fazendo o seu ''trabalho'', flagrarem um trio de cambistas, entre 15 e 18 anos, com drogas e ingressos para um jogo de futebol que estava ocorrendo. O que se espera da polícia em uma situação dessas? Que ela apreenda as drogas e os ingressos e coloque esses jovens na cadeia ou na Febem, não é? Mas, como alguns milhares de pessoas viram, não foi isso o que aconteceu. Os policias, de cinco a sete, utilizaram sua autoridade para fazer com que os jovens engolissem a droga, sendo que debaixo de humilhações e pancadas nas pernas e na face.Então, depois disso, surpreenderam-nos ainda mais: ''roubando'', ''extorquindo'', ''furtando'', fazendo o seu trabalho, ou seja, tomando para si os ingressos. não se sabe se iriam utilizar ou continuar o trabalho dos cambistas: vender!
Em um país onde a polícia (que deveria ser autoridade moral) se confunde com os bandidos, em atos de selvageria e de crime; em um país onde as autoridades são amadas pelo seu povo porque tolera ''pilhagem''; onde '' a permissão do mal faz parte da bondade''(Victor Hugo)... Neste país se faz possível o desenvolvimento da justiça?
No caso João Hélio, os indivíduos foram presos, mas aí temos menores, certo?
Talvez fiquem na Febem por cinco anos para sair depois, piores. E talvez mais João Hélios irão morrer.
Mas e a mãe? Qual é a dor de perder um filho? Uma vez ouvi algo que era assim: se a mulher perde o marido, ela é viúva; se o filho perde os pais, ele é órfão; e se uma mãeperde o filho, o que ela é? Para a pobre mãe, não haverá nada que possa apaziguar essa dor, a não ser ter o filho de volta; mesmo com a morte dos seres causadores de tanta dor, não haveria satisfação.
É engraçado, no Brasil tem que haver algo assim, constrangedor, realista, perturbador, para que haja passeatas contra a violência, prefeitos indo dar pêsames para mães e pais e outras tantas manifestações contra este estado de coisas. Mas por que isso não ocorre normalmente? Por que não exigimos que nossos impostos sejam realmente utilizados na nossa segurança, na nossa saúde, no saneamento básico?
Nos dias 14 e 15 de fevereiro, a polícia invadiu uma favela, ocorreu tiroteio com armas de calibre grosso e tudo a que se tem direito. Houve apelo de uma ONG dizendo que os policias não deveriam agir assim, porque colocava em risco a vida dos moradores. Os policiais responderam que conheciam os riscos e faziam aquilo com todas as precauções e cuidados.
Hahaha...Então alguém, por favor, explique pra eles qual é o sentido de ''bala perdida''.
Gabriel, o Pensador , na música Cachimbo da Paz, tem algumas frases que eu gostaria de ressaltar. Se puder, ouça:

“... Na penitenciária, o índio fora da lei
Conheceu os criminosos de verdade
Entrando, saindo e voltando cada vez mais
Perigosos pra sociedade...

... Essa tribo é atrasada demais,
Eles querem acabar com a violência,
Mas a paz é contra a lei
E a lei é contra a paz...”
Ariel Cardoso (2º ano do Ensino Médio)