EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Adolescentes de hoje vivendo os tempos da ditadura
[29/01/2007- Matéria da Edição :82 - nov_dez 2006 ]
Calma! Isso é idéia da professora Ivânia Almeida, de História, que mobilizou seus alunos da 8ª série em torno do tema “Cultura brasileira nas décadas de 60 a 80”. A professora propôs uma gincana cultural, que aconteceu no dia 25 de novembro, e a turma cumpriu diversas tarefas, como criação de jingles e paródias, montagem de painéis, produção de musical, redação de crônica, organização de desfile de moda, exposição de material informativo da época, construção de monumento à liberdade.
Para você, leitor, trouxemos dois textos produzidos nessa gincana, sobre o contexto da ditadura militar no Brasil:
Ao acordar
Ahhh!!! Que noite mal dormida! Parece até que caí da cama. E agora, ao acordar, estou vendo que caí mesmo. Cadê a janela? Aliás, tem janela, só que está estranha... E estes dois rapazes bem vestidos ao meu lado, quem são? Parecem tão sérios e não me vêem com bons olhos. Mas quem estaria tão sério em plena manhã de domingo? Olhei por trás do moço à minha direita e vi a padaria, aonde teria de ir aquela manhã, para garantir meu suprimento diário de pães - pelo menos cinco para manter uma boa dieta. Após algum tempo acordado, comecei a ver que o mundo a minha volta estava, simplesmente, andando. Mais algum tempo depois, percebi que havia mais dois senhores conosco, um no volante (é, percebi também que estava em um carro) e outro no banco da frente do que parecia ser um fusca do ano, aliás, carro até bem confortável. Continuamos a andar. Ipanema, Guanabara, Flamengo, Tijuca, e por aí foi até chegarmos ao lugar que nomeei de "porta para a nova vida" (ou nova morte, mas isso não vem ao caso). De repente, pára tudo. De volta, as pancadas dos raios do sol. E, então, apagaram as luzes, falaram algumas palavras que não entendi e, finalmente, um foguete atravessou meu corpo e foi embora, levando todos os meus pensamentos até aqui. Depois os rapazes foram embora, deixando-me bem aqui, onde estou desde o dia 16 de outubro de 1968, dia da minha morte. Fui vítima de foguete não identificado, no Rio de Janeiro.
João Ricardo
Os Metamórficos


A repressão
Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi chamado para um interrogatório e nunca mais voltou. Herzog não foi o primeiro e não será o último cidadão morto enquanto esse governo militar permanecer no país.
As pessoas vivem assustadas. Tanques de guerra são colocados na rua para amedrontar a população. Os militares sabem que o povo é o seu maior inimigo. O medo prevalece, medo até do seu próprio pensamento. Não é possível viver feliz.
Não desejamos somente eleições diretas para governadores. Almejamos votar para presidente, pretendemos acabar com o período mais negro na história brasileira.
Não nos contentamos com um falso milagre econômico, que só aumentou as desigualdades sociais reforçando a antiquada idéia da superioridade do rico e d a inferioridade do pobre. Não estamos dispostos a esperar a divisão do bolo enquanto o governo gasta com obras grandiosas e inúteis. Queremos atenção.
Os jovens querem liberdade; não agüentam mais atos institucionais, e os trabalhadores querem exigir seus direitos. Não agüentamos mais propagandas falsas e exageradas sobre o "maravilhoso" Brasil. Queremos a verdade.
A ditadura reprime, sufoca, viola os direitos humanos. Estamos fartos de um Brasil assim. A geração atual tem ideais que pretende realizar passando por cima de pretensões militaristas. Não queremos deixar o país, apenas amar e honrar a pátria. Abaixo a ditadura, o povo no poder!!!

Cecília Ludugero, Fátima Arruda, Gabriela Ludugero, Sylvia Gurgel, Virginia Feijó e Yves Figueiredo UNE - União Nossa Escola