EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Nossa Escola e a I Feira do Livro de Sergipe
[13/09/2006- Matéria da Edição :79 - agosto de 2006 ]
Sendo desejo nosso contribuir com a sociedade no sentido de formar homens leitores, entre as ações que desenvolvemos, está a Feira do Livro, evento que se propõe mobilizar crianças, jovens e adultos de todo o estado de Sergipe. Justificamos a nossa ação em Sartre, que afirma: "não há um único de nossos atos que, criando o homem que queremos ser, não esteja criando, simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva ser (...); portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor".
Temos feito uso dessa frase constantemente, quando queremos outros retornos, que não só competir e vencer num mercado; ou quando entendemos a dimensão dos princípios ecológicos que transcendem a nossa relação em equilíbrio com a natureza - com plantas, árvores, animais. Evidentemente que isso tem um valor enorme. Adoro bichos, adoro plantas, adoro cuidar, ensinar a cuidar para que as gerações futuras tenham um "horizonte límpido e por isso poder sonhar"... Estar bem no mercado é necessário e bom... Mas sabe... não vejo como ser grande sem promover grandeza ao nosso redor. Não vejo como cultivar a aventura de ler - porque ler é a maior das aventuras - sem, de algum modo, promover o gosto pela leitura, pela escrita ao nosso redor.
Eu me incomodo muito quando dizem: em Buenos Aires, há mais livrarias do que em todo o Brasil. Fico com o meu orgulho ferido. E mais ainda, me dói não tê-las quando penso naquelas livrarias - antigos teatros renascentistas - cheias de gente de todas as idades, transitando em silêncio ou cochichando somente, para não incomodar os leitores já mergulhados em alguma boa história, em uma grande obra. É assim: leitura acompanhada de um bom chá ou café com delicadas "galletas" que se dissolvem, em quase mel, no tocar a boca. E mais ainda, ou tanto quanto, fere o meu orgulho quando eu sei o que se pode, comumente, ver nas ruas parisienses: pedestres leitores que atravessam a rua mal levantando os olhos de seu livro.
Desejamos, portanto, promover, para todo o estado de Sergipe, momentos que ensinem a amar os livros. Momentos intensos. Com livros e com autores. Com um passado cheio de heróis ou não - prefiro heróis -; com um presente próximo, distante ou imaginário; com futuros possíveis e impossíveis. Queremos que muitos descubram, e para os que já descobriram, que cultivem mais a possibilidade de transcender os limites que a nossa vida sempre impõe.
Mas...um transcender grandioso, desses que só um bom livro permite. Haveria forma, nesse mundo real, cheio de restrições e de preconceitos, de compreender e de se comover, até o fundo da alma, com toda a beleza do amor de Riobaldo por Diadorim? Haveria... se não fosse através da obra Grandes Sertões: Veredas? Haveria, não. É um amor lindo de se ver, ou melhor, de se ler. E aqui os presenteio com um pedacinho de nada, mas precioso: (...) e, digo ao senhor como foi que eu gostava de Diadorim: que foi que, em hora nenhuma, vez nenhuma, eu nunca tive vontade de rir dele (Guimarães Rosa).

Edmê Cristina