EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Amar é proteger, e o cultivo da ética é, para nós educadores, uma forma muito concreta de proteção aos filhos. E ao planeta.
[20/10/2007- Matéria da Edição :89-agosto de 2007 ]
"Criança da Nossa Escola, um ser que se afirma nas ações positivas, no contexto formador de cidadãos comprometidos com o trabalho, com a produção de bens coletivos e pautados pela ética."
Aglacy Mary.

Sempre que ouço a expressão "pautados pela ética", lembro-me de uma reunião de pais dos tempos de meus filhos pequenos, ainda longe daqui. A educação para a ética fora colocada em questão. "Ética e sucesso não combinavam", dizia a lógica daqueles pais. Incomodou-me muito. Porque amar é proteger, e o cultivo da ética é, para nós educadores, uma forma muito concreta de proteção aos filhos. E ao planeta.
Como assim, ao planeta? Ao planeta, reafirmo em nome dos pequeninos da Nossa Escola - Unidade I. Não é que aqueles pinguinhos de gente, junto de sua professora, estudaram tudo sobre o sabão produzido a partir do óleo utilizado nas-cozinhas-de-cada-dia? Assim, um dia, já sugerira a empresária Edná Rios, leitora minuciosa do Nossa Voz. Desenharam um projeto, montaram-no em seus estandes, com competência e um pouquinho de "nojeiras". Exibiram algumas baratas e outros bichos - da mesma estirpe, em matéria de higiene - na cozinha simulada, para serem mais convincentes no que queriam propor. O melhor aconteceu: um projeto assim de gente pequena - só por fora - rendeu a simpatia de gente grande. Certa empresa anunciou: "se o produto idealizado por vocês for bom, nós vamos vendê-lo!" Claro, desafios maiores eles já vinham enfrentando. Envolveram, então, químicos da UFS, o SEBRAE, o engenheiro Cristiano Pereira de Barros e a CARE. Não resta a menor dúvida: essas professoras e esses pirralhinhos deram duro, mas foram, por isso, recompensados com um resultado inesperado. Confiram, nesta edição, tudo sobre esses pesquisadores. Eu ia dizer gracinhas de pesquisadores. Mas achei que o "gracinhas" não fazia jus ao tamanho do feito. Aliás, dos grandes feitos porque houve outros grupos de pesquisadores. Vocês já comeram bife de casca de banana? Não?! E brigadeiro de macaxeira? Então comam... Não deixem de experimentar as receitas trazidas pelos alunos.
As brincadeiras populares foram demais. Que o diga o Sr. Henrique, cuja filha, Paula Nóbrega, teve que trazê-lo à razão: vamos, pai, eu tenho compromissos à tarde. Ele só saiu mesmo porque as outras crianças insistiram muito para que ele lhes desse uma "vezinha" sequer. Afinal também queriam brincar (palavras de Noca, a da fofoca).
Na turma do papel machê, mãozinhas ágeis e bem treinadas modelaram o rosto do Sr.Ari, pai de Danilo e da Sra. Paula, mãe de Isis Ayane. Agora, sim, eles têm os seus rostos esculpidos para a eternidade. Podem conferir.
Aliás, todos os pais foram homenageados com uma promoção: viajaram através de uma fábula. Aquela da China: sobre trabalho, coragem e honestidade. Eles também tiveram a oportunidade de ir à Grécia, em sua época mais trágica. Porém com um final feliz. Assistiram a seus filhos envolvidos com música e teatro. Isso é parte do cotidiano da escola assim como assisti-los esforçando-se como devem para repetir o mesmo sucesso das Olimpíadas de Informática nas novas Olimpíadas de Física.
Nesse templo de valorização de múltiplos saberes, e de possibilidades não só as Ciências no modelo ocidental tem voz, mas há quem se oriente na produção de Bonsais. Leia o artigo de Cristiano Pereira de Barros sobre essa técnica milenar.
Enfim, o jornal da escola "tá" que não cabe de tanta informação. Chegou até texto da cidade de Uberlândia em homenagem a uma escritora mineira, com direito a uma "fofoca clássica" e conselhos sobre como escrever com graça e despertar muita saudade. Saudade é o que desperta as boas pessoas que passam por nossas vidas e "é a prova de que o passado valeu à pena" como diz Clara (9º. ano) no poema da vez. Além desse, há outros bem apaixonados, mas sem nome. Como lerão, o romantismo chegou com a primavera, talvez porque as flores não o fazem aqui, com a mesma intensidade que em outros países.

Edmê Cristina
Diretora Pedagógica