EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



O saber receber o outro em sua casa é um ato de generosidade.
[09/04/2007- Matéria da Edição :88-julho de 2007 ]
O saber receber o outro em sua casa é um ato de generosidade. Por isso, não poderíamos deixar de pesquisar o assunto na opinião de nossos alunos e de nossos colaboradores freqüentes. Não queremos, no entanto, apenas engrossar a queixa sobre os maus modos do atleta Oscar Schimidt. Como dizem os antigos sufis, a maldade - nesse caso, é também um "grande mico" - apresenta-se aos nossos olhos, com mais vigor. Por isso, não ignoramos o grave pecado de quem deveria ser um nobre anfitrião. No artigo Adolescente e Disciplina, iniciamos uma discussão sobre o olhar capaz de captar a educação em sua intensa dinâmica e insistimos no valor da ética. A insistência não se dá na queixa, porque nela, sempre faz muito medo "de nos acomodar"; insistimos, sim, motivados pelo esforço de educador, no dia-a-dia, pelo processo criativo e pela indignação com os filhos da impunidade que, às vezes, passa-nos a impressão de se multiplicar feito ronha.
Muitos brasileiros se envergonharam da atitude do herói desportivo, vaiando os convidados do PAN. Para se conquistar os cobiçados ouros, melhor fariam com uma educação bem fornida e com ética. Uma boa vida está sempre relacionada com a "natureza ética, moral ou espiritual", interpreta Tom Moris a partir de Bertrand Russel e de suas pesquisas em campo. Não poderíamos demonstrar mais educação como também um pouco mais de coerência ao receber gente de toda a América? Como é que se vaia, sob tantos olhares, um presidente eleito democraticamente? Não faríamos melhor expressando isso nas urnas? Sou, todavia, à moda antiga ou à moda de um devir, como pressupõe Anita Arievilo, que estréia no Nossa Voz: roupa suja se lava em casa; uma democracia se constrói nas urnas, num fazer diário e não grosseiramente, sob os holofotes do mundo.
Os filhos da impunidade, que vão mais além das vaias, em sua total falta de generosidade e de educação - primeiro com o pobre índio, depois com uma trabalhadora - inspiraram a reflexão de alunos e educadores. Não é na queixa, no entanto, que vamos em frente, mas num fazer mais positivo: o diário dos alunos, além de ser fonte de pesquisa para a produção do Nossa Voz, é um exercício de criatividade que gera, todavia, mais criação, garante a estrutura impecável de escrita, clareza na articulação de idéias e formação de escritores com muito estilo. Como bem disse Ziraldo em rede de televisão: toda escola deveria adotar a prática do diário.
Confirmamos isso no dia-a-dia escolar, formando gente que sabe escrever. Nossos escritores não patinam nas letras, dá gosto ver como deslizam na condução de suas idéias e de sua arte. A poeta e escritora Clara (9º. ano), vem desabrochando feito flor, em seu fértil diário. Claro que ele não carece dos rompantes de rebeldias que são próprios da idade, assim como não carece de ricas e bonitas rimas. Nossos críticos de todas as edições têm influenciado muito o senso estético da galera rumo à sétima arte e à literatura. São muitos os alunos que me procuram para dizer que, ao escolher um filme ou um livro, têm consultado e confirmado o bom gosto de Bruno e de Victor. Estamos aguardando a coluna de Guido - ele também é pesquisador de informática e de cinema. Os autodidatas estão pipocando com toda energia e fazendo escola pelo visto. Isso reafirma a Nossa Escola como o lugar de produção de saber. A influência da veemente Sarah - com h - no Nossa Voz já dá para sentir nesta edição. Por enquanto, ela vai manter segredo sobre a coluna escolhida para interferir, mas logo, quem sabe, a garota 6º. ano não revela a todos os leitores a sua marca? Quem a conhece sabe que bom humor e inteligência são os seus temperos prediletos. Por fim e para nosso deleite, lê-se nesta edição o depoimento de Liana, garota de ouro de Sergipe e de prata do Brasil - sobre seus dias de Unicamp. É com muito orgulho e prazer que acompanhamos o crescimento dos alunos em lógica, em conhecimento tecnológico. Agradecemos à UFS e à Unicamp pela oportunidade de reconhecimento e de valorização pública do esforço dos garotos da Nossa Escola que participaram da OBI, da OBM e agora da OBF - Olimpíadas de Informática, Matemática e Física. Em especial, agradecemos ao professor Valdenberg, que primeiramente nos incentivou e que cumpre seu trabalho com generosidade e responsabilidade, de forma única. Somos gratos também à professora Leila, que abriu as portas da UFS com pompa e circunstância e abriu outras possibilidades como boa anfitriã.

Edmê Cristina Oliveira
Diretora Pedagógica