EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Férias
[26/06/2007- Matéria da Edição :87-Junho de 2007 ]
Estamos quase em férias, e tudo vai ficando com aquele gostinho de descanso e de festa. Aliás, a proximidade dos últimos dias letivos sempre faz isto: desacelera o nosso ritmo mental; às vezes, acelera o nosso motor e, sempre, acelera o nosso ritmo afetivo. São tempos de estar com os amigos, de fazer mais amigos, de conhecer os gatos e as gatas. Mas, para a atividade de ser pai e de ser mãe, tem férias? Oxalá tivesse. Conformar-se com a não possibilidade de férias é a única opção: uma vez pai ou mãe... é para todos os dias e todas as horas.
Nas férias, no máximo, podemos dividir essa função de educar com os avós, com os tios e talvez com os amigos que tenham filhos da mesma idade. Dividir, sim, mas tirar férias... sem chances. Por isso mesmo, dedicamo-nos, nesta edição, a discutir sobre possibilidades mais saudáveis de curtir as férias. A professora Aglacy, com a sua boa compreensão do outro e principalmente da criança, pesquisou e trouxe preciosas dicas sobre opções que podem agradar aos garotos de várias idades sem, ao mesmo tempo, exceder-se nesses agrados. Diz ela, do alto de sua experiência: garanta o tempo para a degustação do que vocês darão a eles e o tempo para que eles descubram e cultivem o desejo. É o desejo que mobiliza a busca e desemboca em reais satisfações. O receber desenfreado tem adoecido muita gente, já que é pelas facilidades que os jovens de ontem pagam mais duramente hoje. O não poder degustar, pelo excesso do que provar, deixa o dia-a-dia insosso, priva os jovens dos doces, dos amargos sabores que são bem próprios do sentir-se vivo. Para todos os avós e afins, então, concluo essa pequena polêmica com o aforismo de avós, todavia, mais remotos que os de hoje : “água demais mata sapo”.
Sobre o uso de computador, no entanto, estes avós não têm a dizer, mas Jadson, sim, ele é mestre no assunto. Como, nas férias, estarão todos “plugados” mesmo, veja em seu artigo o que há de saudável para se fazer quando tomamos esse transporte ilimitado em seus possíveis destinos. Ser totalmente bonzinho não é bem a praia do educador, então vamos a alguns limites. “A história de que pode confiar em mim, mãe, pai, não precisa olhar” já estava sabiamente interpretada, antes mesmo de o computador existir, pelos senhores dos tempos remotos: “é conversa para boi dormir”. A confiança nos filhos constrói-se no olhar e no cuidado. Complemento, ainda, com outro antiqüíssimo e sempre atual conselho: rigor e afeto se fortalecem mutuamente; não há contradição entre essas duas categorias. São coladíssimas uma na outra. Então podem ser bem carinhosos com os filhos e proibi-los de uma porção de coisas. Faça isso com serenidade; não há nenhum risco de comprometer a relação, nem de prejudicar o desenvolvimento do pimpolho. Outra pérola do tempo dos meus avós é que sem disciplina não se constrói nada; “não existe nada mais repressor do que o caos”. As férias, portanto, podem e devem ser programadas para que as crianças e os jovens se mantenham ativos, produtivos e bem cuidados.
Vocês poderão descobrir mais possibilidades de lazer e aprendizado lendo a coluna de Victor Cardozo, o nosso crítico de cinema. Ele sabe o que diz. Os livros indicados por Bruno Tomazi são mais opções para as suas férias. Ler, sim, é uma grande viagem para dentro de si e para muitos mundos simultaneamente. Não se esqueçam dos desafios enviados a vocês, aos seus pais, aos engenheiros, aos arquitetos pelo professor Allan. Veja a vantagem disso nas fofocas da Noca: só as resolvem os alunos e os ex-alunos da Nossa Escola. Já desafiamos outros, conforme vão verificar, e não deu...
Tenham, então, umas férias ricas de experiências interessantes, de aprendizados... porque aprender, para quem sabe, é motivo de puro prazer, aliás, isso produz um real prazer. Não a euforia de “pobres garotas” entediadas. Aproveite bem esse tempo e não se esqueça de que é a superficialidade que impede o aprendizado e transforma a vida em um tédio.
Edmê Cristina