EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



... é o nosso lema
[05/04/2007- Matéria da Edição :85 - Março de 2007 ]
Há quem diga que todas as noites são de sonhos. / Mas há também quem garanta que nem todas. (...) Mas, no fundo, isso não tem importância. / O que interessa mesmo são os sonhos (...) dormindo ou acordado (Shakespeare). Se a nossa vida nós a inventamos, como defende Fidellis (C.f.) - ela alerta: sem, contudo, achar-se Deus: -, então, o sonhar acordado tem mais importância do que se supõe no contexto educacional, doméstico ou escolar. Sonhar com os pés no chão, mas com o olhar para o alto é o nosso lema.
Para que comecemos a dar-nos conta das nossas possibilidades mais reais, criamos, entre muitas estratégias, todo um envolvimento com a Junior Achievement, que faz o contato dos nossos jovens com jovens esforçados como Fabiana Cunha. Ela descobriu, no seu trabalho, não só como melhor desenvolvê-lo, mas também o valor das relações, da credibilidade, as portas que se abrem quando somos mais transparentes no mundo, inclusive no mundo dos negócios. Isso mesmo, no mundo dos negócios - afinal não estamos falando de pé no chão? Sem nunca deixar de lado os nossos melhores sonhos e valores? Fabiana fortalece essa idéia quando conta, em sua entrevista, que se envolveu com uma empresa cuja "Regra de Ouro é simplesmente maravilhosa: sinceridade, honestidade, ética, transparência, amor e respeito pelas pessoas".
Essa mesma ética, diz Cannes Da Noca, cabe no mundo da fofoca. Será? Segundo a fofoqueira de plantão da Nossa Escola, em tempos remotos, as pessoas se tocavam mais: toques no cabelo, na pele, apertos de leve, simulando beliscões. Com o desenrolar da civilização, o toque foi trocado pelas informações mais íntimas; mas, com o acelerar dos tempos e das mudanças de costume, as pessoas foram se distanciando - "Exemplo disso é a troca de beijos entre madames". Diz Noca. Ela continua assim: "Sou mais favorável a um forte aperto de mão. Se elas também não julgarem muito anti-higiênico". Desse modo, é compreensível que as fofocas em jornais, em revistas, supram esse antiqüíssimo desejo humano de estar bem próximo do outro. Talvez, por isso, um aluno nosso disse recentemente que abre o jornal e busca, em primeiro lugar, as fofocas. Com certeza, ele não é uma exceção, haja visto o sucesso das colunas sociais e de quem as escreve. Da Noca convenceu a direção do jornal da importância de sua coluna com este argumento: "a ética irá caminhar juntiiinho à minha coluna." Que assim seja. Que não haja constrangimento para a gata Carol (8º ano), para a nossa amiga obesa e o seu cardiologista mui espiritual. Todos, até então, autorizaram os textos que falam de si.
Aprender a interagir com o mundo, de forma competente e criativa, também move os nossos esforços como discutimos exaustivamente neste jornal. Por isso, não percam o olhar crítico e inteligente do crescente número de alunos que disputam um espaço no Nossa Voz: Bruno Tomazi indica um novo livro; Clara fala sobre amizade, sempre tão intensa e bem humorada; Sara, sob a pele de um urso Panda, escreve para a Humanidade e discute uma forma mais racional - com o seu generoso olhar para o futuro - de interagir com o nosso planeta. A Terra, por sua vez, não pede socorro, mas se vinga do nosso descaso com esse calor insuportável que nos castiga em ambientes antes tão frescos.
Entre reflexões sérias sobre os modos de estar no mundo e discussões sobre literatura, sobre relações equivocadas ou felizes encontros, sonhamos com um mundo mais inteligente, ético e singular. Feito de gente mais inclusiva, mais capaz de perceber que o verdadeiro crescimento intelectual e afetivo se dá na diversidade promovida nas instituições sérias e rigorosas - jamais massificadas e rígidas, tendo em vista que os fortes são plásticos: envergam-se, esticam-se, mas mantêm-se inteiros. Em forma.
Edmê Cristina