EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



A razão de produzirmos o Nossa Voz
[30/03/2007- Matéria da Edição :84 - Fevereiro de 2007 ]
Recentemente um aluno me perguntou a razão de produzirmos o Nossa Voz. Eu disse a ele, prontamente, que era para oferecê-lo como um lugar de exercício de escritores e de leitores. Possibilitar, assim, estas ações: ler e escrever. Quando li o poema de Victor Cardozo, felicitei-me pelo êxito do nosso objetivo - impossível não se sensibilizar com o mundo sob o seu olhar, impossível não se envergonhar de qualquer vestígio de indiferença ao trágico e ao belo, ou seja, à vida que ele nos apresenta e à forma como ele nos apresenta essa vida. Do mesmo modo, deparei-me com um artigo de Ariel, que o construiu a partir de um estado de indignação e de solidariedade, estado esse reivindicado por Victor em seu artigo. Estão afinados os nossos garotos. É neste jornal também, que muitos alunos já registraram o retorno de seus breves passeios ao hedonismo nocivo e tão característico de muitos adolescentes desses tempos modernos. Que bom que retornam. Os meus sentimentos em relação a Jéssica são também de orgulho. Ela representa, no Nossa Voz, os que vêem o mundo como um lugar de construção e crescimento. E por último, surpreendi-me com os experimentos poéticos de Matheus Tomazi, encorajado pelo êxito do irmão - suponho - que há muito já estreou em nosso jornal. Os meus alunos estão sabendo valorizar essa oportunidade de um fazer mais real, que os coloca mais cedo em conexão com o mundo.
Ao ser perguntada e ao refletir sobre as possibilidades em que o nosso jornal transformou-se, senti mesmo vontade de agradecer a todos que apoiaram e viabilizaram a nossa iniciativa de criá-lo. Agradeço, então, aos primeiros estagiários enviados pela Unit, instituição que, de lá para cá, tem apoiado os nossos sonhos de socialização do que fazemos de melhor. Agradeço às famílias - os nossos primeiros leitores e críticos - que sempre nos desafiaram e serviram de suporte, ao mesmo tempo, quando souberam equilibrar bem a dureza e a generosidade. Ressalto aqui, com justiça e sem modéstia, que a Nossa Escola tem o talento de manter a sua volta pessoas raras - as que incentivam os atos mais ousados e criativos. Talvez porque sabem reconhecer que o rigor e a seriedade - valores tão prezados por educadores desta sociedade - são inalienáveis do ato de transformar em favor da melhor educação. Na seqüência, agradeço aos alunos, pelo fato de produzirem com esforço e pelo fato de suportar, sem esmorecimento ou ressentimento, as correções, os pedidos "para o refazer" até se aproximar do que julgamos ser digno do próprio aluno e de ser mostrado a um público maior.
Outro objetivo, no entanto, vem delineando-se com o nosso jornal: trazer à tona mais conhecimentos sobre o ato de educar. Conhecimentos que nos desembaraçam do incômodo de tantas incoerências e displicências que se tem com algo de tamanho valor. Nesta edição, ressaltamos a coluna de Aglacy com a sua clareza de educadora experiente e o texto de Jadson, sobre os limites da crença e o valor da ação. Sendo assim, concluo não só com um convite aos demais alunos para deixar a sua marca no Nossa Voz, mas a quem deseja ajudar na discussão que julgo fundamental: sobre o deslumbramento social com a tecnologia na educação - que me deslumbra também - mas que nunca poderá substituir, nem de longe, a relação entre professor e aluno. E, ainda, sobre o fato de a mesma sociedade que se deslumbra com as máquinas desprezar o que se tem como sabedoria de ponta sobre o homem. Sabedoria essa que indica as possibilidades de crescimento do ser como tal, mantendo o velho e milenar equívoco de que a cultura se estabelece com uma educação, todavia, bárbara e tosca no trato com os envolvidos nesse processo. Isso, quando não a substitui, ingenuamente, por outra: frágil e desprovida de autoridade moral.

Edmê Cristina