EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Existe um espetáculo maior que o céu...
[27/02/2007- Matéria da Edição :83 - Janeiro 2007 ]
Aos domingos, a gente não se cansa (...), o cansaço não trabalha aos domingos (Victor Hugo). Nem em férias, a gente se cansa (...), o cansaço não trabalha durante o período de férias. Acho que por isso a leitura e muitas outras atividades para o desenvolvimento do nosso espírito deveriam, nessa época, ser cultivadas. Introduzidas no nosso planejamento de férias, como forma de atividade de lazer. E foi o que Bruno Tomazi fez assim como o Victor Cardozo.
Bruno, até o dia 15 janeiro, estava no seu terceiro romance e, nesta edição, ele tece comentários sobre o seu objeto de curtição. De alto nível. O objetivo é incentivar os seus colegas a se aventurar bem mais longe. Victor Cardozo, por sua vez, não sabia que filme comentar e indicar aos colegas. Ele tem pesquisado desde os clássicos até os mais atuais. E a sua pergunta para mim foi "sobre qual eu escrevo?" Eu aqui devolvo a pergunta, ou melhor, entrego-a para os nossos leitores - que são principalmente os nossos alunos, embora a casa esteja sempre aberta e com os seus jornais na rua (Confira o endereço para se comunicar conosco). Entrego a eles a pergunta de Victor, mas pegada a outra: "não é obrigação da escola, da família ensinar a abrir-se para o desconhecido, ao invés de manter-se naquele "programinha" repetitivo e bem "básico": internet, shopping; shopping, internet, enquanto a vida passa com propostas de intensas e fecundas aventuras? Como Bruno, como Victor e outros tantos, não deveriam todos escancarar as portas da ousadia e ler, assistir a bons filmes, em vez de esquentar as "parejas" de orelhas roçando-as no telefone durante todo o dia e só com muitas conversas inúteis que preenchem as nossas horas e consomem o nosso tempo? Nada contra o telefone. Assim como nada contra fazer amigos via "e-mail" e outros meios: na Treze, na rua, nas praças. Fazer amigos é sempre muito rico, muito bom mesmo, assim como é saudável caminhar na praia, mergulhar no mar da Atalaia. E jogar conversa fora, então, num diálogo mais sensível e saudável, em que se é capaz de ouvir e de ser ouvido? Agrada a alma e mima o corpo.
Mas nos livros, nos bons filmes, no teatro, nós podemos explorar um outro mundo que pode conviver com esse e até trazer-lhe mais sentido. Os bons livros, os bons filmes, as boas peças de teatro, de arte em geral alimentam o espírito. Os espíritos que querem mesmo se educar têm olhos para os melhores espetáculos. Esses olhos não podem encontrá-los "em nenhum lugar mais ofuscante, mais "até tenebroso" - diria Victor Hugo - que o homem. Segundo o grande escritor, esses olhos não poderão 'fixar-se em nada mais temível, mais complicado, mais misterioso e mais infinito'. "Existe uma coisa que é maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior da alma" (Idem). Esse espetáculo, que é o interior da alma, coloca-se com graça e com arte, nas obras dos grande autores lidos, assistidos pelos nossos alunos e é, muitas vezes, até representado por eles. O interior da alma é representado na arte de dançar, por exemplo. Foi emocionante ver Tainá, Ísis, Gabi, Natália, Lorena, Jéssica, Sasha, Sara, Maria e outras queridas artistas voar ora como anjos, ora como mulheres modernas e sedutoras, ora como bailarinas clássicas pelo palco. Quem assistiu ao espetáculo de Lú Spinelli, na culminância de 2006, sabe do que estou falando, e quem ler a coluna de Victor Cardozo e Bruno Tomazi verá mais portas abertas aos melhores espetáculos. O cansaço não trabalha mesmo... quando o espírito se faz grandioso.

Edmê Cristina