EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Nossa Voz - A expressão do Compromisso
[29/01/2007- Matéria da Edição :82 - nov_dez 2006 ]
"Mas o que é mesmo carinho? Carinho é isso, é não deixá-los à mercê do ensinamento destilado gota-a-gota pela corrupção (Victor Hugo) que avança e faz prevalecerem as facilidades na educação doméstica e escolar."
Falando de corrupção é que Anna Fidellis termina o seu artigo desta edição. O assunto é obrigatório entre educadores. Entre os sérios, claro. Porque fora desse âmbito de seriedade, vê-se de tudo. É função nossa saber para o que educamos os nossos alunos e os filhos. Podemos e devemos fazer isso para que tenham êxito hoje, no seu dia-a-dia, e sempre. Com ética. Afinal, a semelhança entre êxito e merecimento engana muito os homens. O sucesso, sósia do talento, infelizmente tem um ingênuo que crê nele facilmente: a sociedade (idem). Mas, com clareza e ética, trabalhamos para que todos os nossos educandos alcancem o êxito, mas por merecimeto, com base em talento e esforço.
Esse êxito, as pessoas devem encontrar na relação familiar, na amizade, na profissão, e incluímos aqui a questão financeira. Quando nós falamos do valor da escola no contexto de vida, é comum aquela perguntinha "quase clássica" (é a corrupção destilada gota-a-gota de quem quer fugir do trabalho duro como se houvesse algo neste mundo que não necessitasse de muito esforço para alcançar): de que me serve estudar esse assunto? Intuitivamente, no entanto, eles sabem e todos nós sabemos que o belo é tão útil como o que é simplesmente útil (...) talvez até mais (Victor Hugo). Ademais, a utilidade - em seu sentido mais restrito e funcional - de muitos dos nossos aprendizados se mostra com o passar do tempo.
Por conta desse mundinho folgado de só comprar, comprar...que não serve à realização de nossos filhos e alunos como grandes pessoas, temos sempre reforçado a 'miopia da admiração contemporânea'.
O que é incapaz de ver a nossa sociedade míope? Os frutos dos atos criativos forjados pelos gênios de tantos homens. Não vê também as belas fórmulas matemáticas que o professor Cláudio sabe discorrer com paixão e elegância (leia as suas palavras de paraninfo na Lente de aumento); as grandes descobertas das ciências, tratadas por Roosevelt com um especial senso de humor ou com a seriedade e a fecundidade da professora Aline (confira o depoimento dessa professora muito especial sobre os golfinhos). É também culpa da miopia histórica não ter reconhecido a genialidade das teorias econômicas do Barão de Mauá em tempos ainda tão remotos, conforme os nossos leitores puderam acompanhar pela entrevista elaborada por Mariana (6ª. série) e que já se encerra nesta edição.
O "Nossa Voz" é a expressão do compromisso desta escola em ensinar o mais possível aos que ainda não sabem, porque estamos conscientes de que a sociedade sempre responde duramente pela escuridão que provoca (idem). E essa sociedade a tem provocado quando cultiva os caminhos fáceis, o consumismo desvairado em detrimento do ato criativo. Essa é a grande corrupção da sociedade capitalista, que insiste em reforçar o hedonismo, a submissão ao que há de absolutamente fútil. Porque assim é mais fácil.

Edmê Cristina