EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



De que modo a escola pode ajudar o aluno a educar a sua inteligência?
[28/02/2007- Matéria da Edição :83 - Janeiro 2007 ]
Aprendemos desde cedo que a disciplina é o caminho para a realização de qualquer projeto, que a autonomia criadora faz o diferencial, que autodeterminação e autoconfiança nos mantêm firmes rumo aos nosso sonhos.Realmente, todos esses requisitos são indispensáveis e somam-se de modo intercomplementar. Reconhecer o significado e o verdadeiro papel de cada um deles torna-se indispensável a qualquer pessoa que busca realizar projetos.
A disciplina é aprendida num ambiente que prima pela ordem, pelos compromissos e pela responsabilidade. Educar-se para a disciplina pressupõe desafios e também estímulo, pois o aluno necessita visualizar caminhos possíveis; afinal, ter disciplina significa visualizar trajetórias a percorrer e sobre o que se apoiar na realização de suas atividades. Disciplinado não é aquele indivíduo imóvel, paralisado; é no entanto, aquele interna e externamente organizado; aquele que tem sistematizado seu raciocínio e seus afazeres; aquele que, por saber qual é o seu querer e qual é a meta que visualiza, investe nela. Levar os alunos a conhecer quem são eles e quais as suas aptidões e competências é um dos desafios lançados à Escola. Quando você ajuda o aluno a reconhecer os seus valores, refletir sobre eles e se apoiar neles; quando você mostra aos alunos que é mediante a realização dos desafios propostos, dos exercícios, das pesquisas e de algo a mais além do exigido - a disciplina se faz presente, e o aluno é educado para a sua organização interna e externa.
Esse algo a mais, esse sinal de que podemos ir além do exigido... são as sementes da autonomia criadora. Inicialmente planejada e provocada, logo a seguir, ela surge como que espontaneamente, mediante o despertar de interesses e dos desafios lançados no dia-a-dia. O aluno que está nesse ambiente vai despertando aos poucos a necessidade de ir além... de se auto-desafiar, de se auto-superar. Esse é um caminho para a maturidade. A maturidade de saber fazer escolhas, de optar por temas de estudo, por prioridades no momento de revisar conteúdos, de escolher o que fazer em cada momento de sua vida diária. Isso decorre de um processo provocativo da curiosidade, que se enriquece no contato com a cultura, em suas diversas manifestações. À escola está lançado esse desafio: não apenas de dar acesso à cultura em suas diversas facetas, mas, principalmente, de fazer o aluno despertar, interagir e criar sobre ela. Assim fizeram os grandes gênios, hoje fazem isso muitos pequenos gênios que acessam a ciência e discutem com os cientistas sobre o seu modo de fazer e o modo de fazer que eles descobriram.
Ter acesso ao saber, nos dias atuais, é algo mais do que comum; todavia, redescobrir exige muito mais que autonomia para acessá-lo; exige também autodeterminação e autoconfiança. Saber-se capaz para, aceitar-se capaz de acertar como também de errar... são elementos que estão presentes; contudo, sair do seu locus para se lançar no sonho de refutar teorias, descobertas e produções - isso sim, é difícil. Quando a escola instiga os alunos a compreender as teorias e reelaborá-las com a sua linguagem, com os seus símbolos e imagens, ela está mostrando a possibilidade de criação ao acesso de todos. Essa autoconfiança vem como decorrente da consciência de qual caminho percorrer, das possibilidades de intervenção, bem como da certeza de poder acertar.
É assim que pensamos e entendemos o que leva um aluno ao sucesso nos estudos e no vestibular. Fazemos essa afirmação mesmo entendendo que o vestibular lida com uma lógica meio "desvairada", a qual nem sempre está acessível a todos. Entendemos, contudo, que àquele a quem essas competências estão postas (saber ser, saber conviver, saber produzir, saber conhecer), o caminho para o sucesso fica bem mais curto, menos complicado. O saber aqui passa a ser acessado por várias vias e de modo mais intenso.
Vale frisar que as recomendações dadas aqui não funcionam como uma receita a ser aplicada, dando a garantia de realização dos resultados esperados. Elas, todavia, nos orientam para a valorização de atos simples, compreendidos e aplicados diariamente, os quais podem resultar positivamente nas nossas ações diárias. São atos saudáveis: ter um horário regular de estudos, estar com os exercícios e leituras sempre em dia, participar das aulas ativamente, fazendo intervenções, expondo as dúvidas, ao invés de acumulá-las ou desconsiderá-las. Também, esforço, muito esforço para manter o seu ritmo de estudo, mesmo quando há coisas mais atrativas para fazer, manter a mente ativa e cuidar da concentração são exemplos de autodeterminação. Autoafirme-se! Repita para você mesmo, reiteradamente, o quanto você é capaz e aonde você vai chegar. Não dê evasão à descrença, à incapacidade; isso fazem os fracos, isso nos fragiliza e adoece, elimina o nosso potencial para alcançar algo.
Portanto, busque o seu auto-conhecimento; uma relação harmoniosa com os outros e com os seus estudos; conhecer bem e em profundidade os conteúdos exigidos e algo a mais; produzir com qualidade seus desafios, pesquisas e exercícios... Assim procedendo, você estará ativando aqueles requisitos a que nos referimos anteriormente: disciplina, autonomia, autodeterminação e autoconfiança; você estará educando a sua inteligência, evitando desgastes desnecessários, histeria, doença; estará reafirmando seus projetos, sua saúde e aproximando-se dia-a-dia do sucesso, do uso adequado da sua inteligência - afinal, ela é um dom que deve ser cultivado.

Jadson Tavares de Jesus