EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Ouça os conselhos do velho pai
[07/12/2006- Matéria da Edição :81-outubro de 2006 ]
Outro dia, um moço bonito, ao lado de uma gata, todavia, mais linda - dessas com visco de não liberar o olhar alheio - contou-nos a seguinte história: Ele estava com o seu chefe, no restaurante, tratando de negócios... creio - porque com o chefe, né?... só negócios -, e a sua namorada lhe telefonou naquele nível de excitação. Se eu a conheço bem, falou, falou, argumentou e só permitiu a ele que a aprovasse. Afinal era a sua vida profissional e sobre isso, andava a menina cheia das certezas. Ele desligou. Frustrado... queria discutir outras possibilidades. Percebendo tudo, o seu chefe fez-lhe um relato:
Ele ia se casar, e a festa de casamento estava sendo organizada naquele ritmo... de tirar o fôlego... Mas, sufocado mesmo, ficava na hora dos acordos, ou melhor, dos desacordos com a noiva e sobre os ritos. Cada detalhe era um Deus nos acuda, e ele ameaçava sair de cena porque eram muitos os detalhes. Tudo para que o casamento fosse um dia de sonho.
Pelo andar da carruagem, no entanto, o sonho, de tempo em tempo, fazia breves - às vezes prolongados - mergulhos em pesadelo. O pai do noivo, homem discreto, mas preocupado, chamou o filho e o aconselhou:
- Filho, deixe que ela faça tudo, tudinho exatamente como quiser. Só opine se perguntado...apoiando-a de preferência.
Assim o filho fez, e assim tudo correu sem a intermitência do ar nos pulmões. Para a noiva, então, só sonho e para o noivo, paz.
Após a cerimônia, a música, os brindes, os abraços, os amigos bêbados de sempre, algumas de suas inadequações, piadas de bom e de mau gosto... e a hora do enfim sós. Não como antigamente. As coisas hoje são bem... mais modernas, antecipadas que só. Mas a expectativa de uma vida nova é sempre aquela emoção. O pai do noivo, como manda os bons costumes, solenemente o convidou para um lugar reservado e fez as últimas recomendações:
- Filho, lembre do conselho que lhe dei a respeito da festa do casamento.
- Claro, pai, segui...e deu tudo certo...
- Então agora, meu filho, agora... siga-o por toda a vida.

Maria Luiza Cannes Da Noca