EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



I Feira do Livro de Sergipe
[16/10/2006- Matéria da Edição :80 - Setembro de 2006 ]
26, 27, 28 e 29 de outubro
AMA Galeria de Arte

Esta I Feira do Livro de Sergipe é um movimento que tem provocado encontros muito especiais. Um deles aconteceu no dia 25 de setembro, quando Edmê Cristina e Aglacy Mary, diretoras da Nossa Escola, atenderam a um convite do Presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento. Naquela ocasião, as duas coordenadoras do evento apresentaram aos ilustres membros da Academia o projeto criado para reunir leitores de todas as idades em torno da obra de escritores sergipanos e escritores convidados de outros estados da federação. Nesse encontro, definimos a montagem de um estande para obras autorais dos membros da Academia, a exposição de obras raras do acervo da instituição e um espaço onde o público poderá obter autógrafos.
A I Feira do Livro de Sergipe está reunindo um número crescente de colaboradores e incentivadores. Na própria Academia, várias vozes aplaudiram a iniciativa e ofereceram apoio ao projeto. Professores e profissionais de áreas diversas têm manifestado seu contentamento diante da possibilidade de a idéia da Feira consolidar-se em nosso estado como evento bienal. Aracaju e Sergipe merecem isso.



Os livros, nossos amigos
Manoel Cabral Machado
(membro da Academia Sergipana de Letras)

Fico a pensar num tempo que chegará breve, logo que os nossos passos se apaguem. Haverá, nesse tempo, lugar para os livros, os nossos amigos? As novas técnicas estão a transformar o mundo criando uma outra linguagem e uma outra comunicação entre os homens. E essas transformações, na verdade, estão também afastando os livros do nosso convívio. Pouco se lê. As bibliotecas estão ficando cemitérios. As livrarias minguam, os apartamentos não têm lugar para as estantes, e os jovens levam as suas atividades para outros interesses. Nem sei se os moços de hoje fazem versos para encantar as suas namoradas. Ou mesmo se as jovens ainda gostam de versos como antigamente. Antes elas escreviam, nos seus álbuns, as poesias dos seus poetas preferidos. É certo que a juventude gosta de esportes, de música, especialmente das músicas de ritmo movimentado e já não mais das suaves e sentimentais. Felizmente, poucos e penso que poucos encontram diversão nos caminhos perniciosos das drogas e dos vícios.
Certo que o mundo caminha para a aldeia global. "O Mundo Só", de Wendel Wilke, quando predomina o princípio fundamental da economia, que é o máximo de proveito com o mínimo de esforço. E assim, ouvir implica menor esforço do ver; e ver , menor esforço do que ler. Especialmente ler os livros, nossos amigos. Livros de literatura: ensaios, poesias e ficção. E como a nossa gente perde também a beleza da vida se não lê. E como a juventude fica empobrecida afastando-se do mundo maravilhoso da ciência, das artes, da literatura, enfim, da cultura.
Lembro da infância pequenina na escola infantil, quando meu pai me trouxe o livro escolar Cartilha Nacional para substituir o horroroso livro Cartilha Analítica. Cartilha esta que só mostrava as letras gordas, vermelhas ou negras, enquanto a Cartilha Nacional encantava-me com historinhas de Paulo, Rosinha e Pery. Então, ao invés de ficar amarrado nas letras gordas, passei a correr nas páginas da leitura, como Paulo corria atrás da bola; Rosinha, atrás de Paulo e Pery, atrás de Rosinha. E logo cheguei ao final do livro, com a poesia "De manhã na minha casa / é um rumor que não tem fim / mal a gente se levanta / é logo dilim, dilim". Desse modo, a partir da infância, nunca perdi o convívio com os livros, mesmo à beira dos 90 anos.
Por tudo isso, vejo com alegria a convocação que a professora Aglacy Mary da Silva e seus colaboradores, no estabelecimento de ensino "Nossa Escola", estão fazendo ao promover a I Feira do Livro de Sergipe. É uma convocação da sociedade sergipana para o apoio e a colaboração nesse evento maior. Convocados, portanto, estão os jovens, os intelectuais, os homens de inteligência de todos os naipes, empresários, profissionais, mães e pais de família, autoridades e, enfim, todas as pessoas que têm a responsabilidade pela construção de um mundo melhor para os nossos filhos. Louvo a professora Aglacy Mary da Silva e todos que com ela se empenham. Deu Gratias.