EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007
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Hélio e seus três filhos: Lívia, Danilo e Victor



Receita para um festejo junino danado de bom
[16/08/2006- Matéria da Edição :78 - Junho de 2006 ]
Para a realização de uma festa junina, o senso comum identifica alguns elementos essenciais, sem os quais a festividade perderia por completo o sentido. Você já imaginou festa junina sem comidas típicas? E sem as cores vibrantes que caracterizam o figurino nos babados, nos remendos, nas listras e nos quadriculados? Tem graça uma festa de São João sem bandeirinha, balão (de enfeite) e outras peças de ornamentação? Agora pense... Não! È melhor nem pensar numa festa junina sem o ritmo envolvente e contagioso do forró!
E a festa da Nossa Escola neste ano, mais uma vez, manteve-se fiel às mais legítimas tradições juninas proporcionando horas agradáveis a todos os presentes. Tivemos todos os "elementos obrigatórios" já mencionados, além de muita dança, alegria, animação e oportunidade de reencontrar amigos. No entanto, no meio de todo esse forrobodó, é preciso destacar uma iniciativa que tem a marca da Nossa Escola: o resgate de manifestações culturais populares de tradição.
A qualificação "tradicional" somente é atribuída a algo que satisfaça simultaneamente a dois critérios: a permanência ao longo do tempo e a obediência a um conjunto mínimo de regras. Nesse sentido, a festa junina é uma tradição no nordeste, assim como o desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por outro lado, certos grupos ou estilos musicais que alcançam estrondoso sucesso em umas poucas temporadas, desaparecendo tão repentinamente quanto surgem, não podem ser considerados tradicionais, ainda que tenham aceitação popular, já que lhes falta o quesito durabilidade.
Com relação à Nossa Escola, percebe-se que estamos consolidando a tradição de se festejar o São João sem a presença inconveniente e perigosa dos fogos. Aquilo que começou há algum tempo pela imposição de uma regra de proibição, gerando questionamentos naturais, hoje se encontra pacificamente incorporado às práticas da escola, merecendo a aprovação da grande maioria.
Voltando ao velho e bom São João, neste ano, a Nossa Escola escalou um time de peso para embalar as danças de todas as turmas. Assim, além de nos embevecer com o desempenho de nossos filhos, tivemos oportunidade de ouvir Alcymar Monteiro, Flávio José, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Jackson do Pandeiro e, como não poderia deixar de ser, o "véio Lua" - Luiz Gonzaga. Aliás, na voz do Rei do Baião, foi apresentada, entre outras, a Nega Zefa, de autoria de Severino Ramos e Noel Silva e lançada em 1964, no disco Sanfona do Povo. Tivemos também músicas de autoria desconhecida - do folclore nordestino - tudo isso a comprovar que o trabalho incansável que a Nossa Escola realiza na direção à pesquisa de nossos legítimos valores culturais e do resgate das autênticas manifestações populares, além de ter se transformado numa marca muito própria da instituição, é digna de nosso apoio e consentimento. Por quê? É simples: MEMÓRIA.
A pessoa ou comunidade, ou até mesmo o país inteiro que não exalta suas memórias acaba por renegar o passado, e sem passado teríamos sérias dificuldades em entender o presente, já que estaríamos alijados de nossas referências. Não se admite o estudo de história apenas para se conhecer um punhado de nomes e datas, mas para auxiliar na compreensão dos fatos atuais. O conhecimento das escolas literárias não serve somente para a preparação visando ao vestibular, mas para estimular a leitura e melhor interpretar os textos contemporâneos. Na moda, setor cada vez mais significativo do mundo dos negócios, também verificamos esse intercâmbio entre o pretérito e o presente, com vistas ao lançamento de tendências. Na economia, na política, na medicina, enfim, em todos os setores do conhecimento humano, é no passado que buscamos várias respostas para os questionamentos do presente, da mesma forma que estamos produzindo hoje explicações para as inquietações do amanhã.
Por tudo isso, é que eu fico muito satisfeito por ter a Nossa Escola esta preocupação com os nossos valores do passado. Não há que se falar aqui em saudosismo piegas ou em qualquer forma de apologia ao conservantismo. Definitivamente, não! O que se pretende, creio, é estabelecer marcos, referências positivas de nossa cultura, que, certamente, irão contribuir para a educação de nossas crianças, da mesma forma que procuramos incutir nos filhos os princípios relativos à ética, moral e respeito, para que as atitudes deles sejam precedidas, mesmo inconscientemente, de um confronto com esses valores.
Assim, levar aos alunos o conhecimento de ícones da nossa cultura popular, como o Velho Januário no forró, o Zé Pereira no carnaval, toda a simbologia e elementos de nosso rico folclore inserindo e discutindo os temas em projetos pedagógicos, nos textos de avaliação, em momentos como a "hora da surpresa", confere um grau muito particular e especial à Nossa Escola. Parabéns a ela pela iniciativa, aos pais que acreditaram e continuam apostando nessa proposição e às crianças, razão de ser de todo esse esforço e que sempre responderam satisfatoriamente a todas essas "provocações". Ah!... e mais uma coisa que eu ia esquecendo: Viva São João!


Hélio J. Canoves é conhecido por ser pai de
Danilo B. Canoves (6ªB), Lívia B. Canoves (5ªA) e Vítor B. Canoves (3ªA).