EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Fofoca sobre fofoqueiros
[05/05/2007- Matéria da Edição :85 - Março de 2007 ]
Tem gente que acha que brigar e ficar de mal é uma questão de orgulho ou de dignidade. Pode até ser. Isso quando quem o feriu, fez por pura crueldade e gosto. E quando uma conversa franca não for suficiente na cura da dor. Então, aí sim, espere que o tempo faça o agressor pensar e retomar a relação com um pedido de desculpas que signifique de verdade o arrependimento. Mas eu observo outras coisas e vejo muitos preconceitos permeando as relações. Vejo muitas coisas mesquinhas nos jogos sociais.
Onde já se viu: falar mal do outro para parecer superior e conquistar a amizade de colegas que na sua concepção são os populares? A gente pensa que isso acontece somente em filme americano de qualidade duvidosa. Mas não. Tem gente boba andando por aqui. Para essa garotada que está se deixando contaminar por venenos alheios, ficam esses versos de uma mãe aflita (Elizabeth) que tinha os seus filhos em pé de guerra:
Oh! filhos meus!
Hostil e falso é o mundo,
E mal intencionado!
(...)
Incertos, frouxos
E variáveis são os laços todos. ( Frederich Shiller)
É verdade. Não é só teatro, não. São mais variáveis e frouxos, todavia, os laços com pessoas que baseiam as suas relações falando mal um do outro. Pense bem: se ele fala do outro hoje porque não fará o mesmo com você amanhã?
Com o seu alerta, Elizabeth continua:
Sobre os lábios, raiz a voz não cria,
que inopinada - imprudentemente - escapa à acesa cólera.
Mas se acolhe ouvidos suspeitosos,
Então como erva má se estende e lavra.(Idem)
Quem anda por aí deixando criar raiz em seus ouvidos a maledicência de outros, e até lavrando-a, sabe bem do que falo. Porque muitos dos que já colheram essa erva daninha expelida em momentos de mais pura cólera, passaram pela lição que quero aqui narrar: deram ouvido às fofocas e depois viram o fofoqueiro bem amigo da pessoa com quem o dono dos ouvidos suspeitosos rompeu por conta do veneno absorvido por ele por gosto ou por engano.
Ad effectum de demonstrar a minha indignação e de educar: Bem feito.