EDIÇÃO IMPRESSA ATUAL - Nº 90-OUTUBRO DE 2007



Depois dos confetes, um segredo
[28/02/2007- Matéria da Edição :83 - Janeiro 2007 ]
Antes de começar a buscar "O segredo da varinha de condão", os alunos da Educação Infantil até o 5º ano viveram "A magia de João de Barro (Yes, nós temos Braguinha)". O pequeno grande projeto foi uma homenagem a um nome inesquecível da história da música brasileira, com uma importante contribuição para o repertório carnavalesco. Que brasileiro não ouviu Touradas em Madri, Pastorinhas, Balancê, Pirata da perna de pau ou Yes, nós temos banana? E, além do carnaval, quem não cantou Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau/Eu pego as criancinhas pra fazer mingau e tantas outras composições que cantam as histórias infantis?
O estudante de arquitetura Carlos Alberto Ferreira Braga virou João de Barro, pseudônimo inspirado no pássaro construtor. Carlinhos, João de Barro, Braguinha. Além dos trabalhos de composição com ilustres parceiros como Charles Chaplin, Noel Rosa, Pixinguinha e Alberto Ribeiro, Braguinha atuou como roteirista e assistente de direção em filmes da Cinédia. Morreu há pouco tempo, em 24 de dezembro de 2006, aos 99 anos, dos quais 83 dedicados à arte.
Além da homenagem a Braguinha, o tradicional baile deste ano, na Nossa Escola, comemorou o centenário do frevo e revisitou a grande Chiquinha Gonzaga, autora da primeira música feita especialmente para o carnaval - Ó abre alas.
E "O segredo da varinha de condão"? Esse é o projeto que começou a produzir efervescência entre os professores da Nossa Escola, ainda durante as férias dos alunos.
A idéia é investigar os processos envolvidos nas conquistas de bens morais e materiais. Consumismo excessivo, atitudes imediatistas, superficialidade nos vínculos afetivos revelam um pensamento que reduz a realidade a um simples toque mágico pelo qual se obtém as coisas. Assim, a sociedade tende a render-se às facilidades ignorando o valor do desejo, da técnica, da iniciativa, da coragem, da perseverança, da cooperação - indispensáveis aos processos de construção de qualquer de suas posses. Esse foi o pensamento que trouxe ao grupo a seguinte questão sob a forma de tema musical:
De onde é que vem aquela leveza da bailarina?
Eu quero saber
Qual é a magia, como é que se faz um bom professor?
Eu quero saber
Qual é o mistério do equilíbrio de um trapezista?
Eu quero saber
Como é que aparece assim, de repente, um grande doutor?
De onde é que vem?
Como é que se faz?
Eu quero a palavra
Da transformação
Quem é que me diz
Qual é, afinal,
O segredo da varinha de condão?
Música
"Varinha de condão" (Aglacy Mary)

De onde virão as respostas a essa indagação?

a Das histórias que vamos explorar;
a Das obras coletivas que vamos produzir;
a Das campanhas que vamos organizar;
a Dos talentos que vamos conhecer;
a Do belo que vamos investigar.

Os professores estão vibrando com as possibilidades de planejar, com os seus alunos, ações que lhes dêem condição de rever esse tempo apressado que nos devora e nos faz ignorar a persistência dos braços de Dona Nininha, mexendo banana e açúcar até o sabor escuro do doce batido; a agilidade medida dos incríveis descascadores de camarão miúdo; a paciência dos artistas de origami; a delicada precisão dos velhos relojoeiros. Ações que nos ponham em contato com o exemplo do empresário que conjuga técnica e ética; do engenheiro que vê a família que existe além das paredes; do desportista que, acima de tudo, supera os próprios limites.
Os pais dos alunos conheceram “o segredo” em quatro noites de café nordestino, oferecidas pela escola no início do ano letivo. Desse encontro, nasceram apreciações e contribuições que já estão fazendo o projeto se ampliar. Com os alunos, então, os últimos traços serão definidos.
O projeto promete. Promete investigações e muitas descobertas. Acima de tudo, a de que o belo...